Filosofia em Watchmen - Parte III - A Coruja de Aristóteles

 Por Gelson Weschenfelder

O personagem Ozymandias pode ser associado à teoria ética do utilitarismo e Rorschach a teoria ética da deontologia. Mas o herói mascarado de Watchmen, o Coruja (o segundo), seria o mais ético de todos. Ele prega uma ética da virtude clássica, a ética do filosofo grego Aristóteles (384-322 a.c.)[1]. Esta ética se opõe as teorias éticas apresentadas por Rorschach e Ozymandias na história. A ética da virtude se apóia em regras de modo diferente em sua garantia de orientação moral.

O Coruja é um herói, mas diferentemente do Rorschach e Ozymandias, ele leva uma vida prospera, um ávida completa, uma vida que não é autoderrotista (IRWIN, 2009. p.84). Este herói mascarado realiza o equilíbrio entre os extremos dos outros dois, ele é determinado, mas não teimoso; ele é cauteloso e não imprudente (IRWIN, 2009. p.86). E esse equilíbrio é um aspecto chave da definição de virtude de Aristóteles.

 

A Virtude é uma disposição estabelecida que leve à escolha de ações e paixões e que consiste essencialmente na observância da mediania relativa a nós, sendo isso determinado pela razão, isto é, como o homem prudente o determina (ARISTÓTELES, 2007. 1107 al: 1-5).

               

É apenas atingindo o meio termo ou o equilíbrio entre dois extremos que, que estaremos exibindo a virtude. Para Aristóteles, virtude “é o meio termo entre dois vícios, um de excesso, outro de deficiência” (ARISTÓTELES, 2007. 1107a).

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            O Coruja demonstra várias virtudes apresentadas na Ética a Nicômaco de Aristóteles: a bravura, a temperança, a amabilidade, a amizade, e a espirituosidade[2]. Este herói é claramente o melhor exemplo de heroísmo e exemplo moral, principalmente quando questiona Veidt e todo seu plano: “Era para nós transformar o mundo em um lugar melhor?” (Watchmen: O filme, 2009).

Ele é um cara bom, direto e simples. Ele é corajoso, mas não prudente. Ele ajuda as pessoas, mas o faz de forma cuidadosa e ponderada. Ele é leal aos seus amigos, mas não a ponto de ser servil. Ele demonstra todas as virtudes aristotélicas, atingindo o meio termo entre os extremos (IRWIN, 2009. p.87-88).



[1] Aristóteles define a Virtude como sendo a disposição estabelecida que leve à escolha de ações e paixões e que consiste essencialmente na observância da mediania relativa a nós, sendo isso determinado pela razão, isto é, como o homem prudente o determina.

[2] Todas são discutidas em ARISTÓTELES. Op. Cit. Livros III e IV.


Bibliografia 

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 2ª edição. Tradução Edson Bini. Bauru, SP:

Edipro,2007.

BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de filosofia.Rio de Janeiro: Jorge Zahar

editor, 1997.

IRWIN,William. Wachtmen e a filosofia.São Paulo: Ed. Madras, 2009.

KANT. Fundamentação da metafísica dos costumes.São Paulo: Martin Claret, 2003.

KANT. The metaphysiscs of morals.Cambridge, UK:Cambridge University Press, 1996.

WATCHMEN.Edição Definitiva.DC Comics.Editora Panini, 2005.

Watchmen:O filme.Direção:Zack snyder.Warner Bros Pictures, 2009.1 DVD(162

mim),color.